O aparelho auditivo, também chamado de prótese auditiva acústica, é um pequeno dispositivo que deve ser colocado diretamente no ouvido para ajudar a ampliar o volume dos sons, facilitando a audição de pessoas que tiveram perda desta função, de qualquer idade, sendo muito comum em idosos que perdem a capacidade auditiva por causa do envelhecimento.

Existem diversos tipos de aparelho, de uso interno ou externo à orelha, compostos por microfone, amplificador de som e auto-falante, o que aumenta o som para chegar ao ouvido. Para o seu uso, é necessário ir no otorrinolaringologista e fazer exames de audição, como audiograma, para saber qual o grau de surdez, que pode ser leve ou profunda, e escolher o dispositivo mais adequado.

Além disso, existem vários modelos e marcas, como Widex, Siemens, Phonak e Oticon, por exemplo, além de vários formatos e tamanhos, e possibilidade de usar em um ouvido ou nos dois.

 

Preço do aparelho auditivo

O preço do aparelho auditivo dependendo do tipo e marca de dispositivo, podendo variar entre 2 mil e 12 mil reais.

No entanto, em alguns estados do Brasil, o paciente com dificuldade auditiva pode pode ter acesso a um aparelho auditivo gratuitamente, através do SUS, após indicação do médico.

Quando é necessário usar

Os aparelhos auditivos são indicados pelo otorrinolaringologista para casos de surdez por desgaste do sistema auditivo, ou quando há alguma situação ou doença que provoca dificuldade para a chegada de som no ouvido interno, como:

  • Sequelas de otite crônica;
  • Alteração das estruturas do ouvido, por um traumatismo ou por uma doença, como a otosclerose;
  • Danificação das células do ouvido por excesso de ruídos, por trabalho ou ouvir música muito alta;
  • Presbiacusia, em que acontece degeneração das células do ouvido devido ao envelhecimento;
  • Tumor no ouvido.

Quando há qualquer tipo de perda da audição, deve-se passar pela avaliação do otorrinolaringologista, que irá avaliar o tipo de surdez e confirmar se há necessidade de uso do aparelho auditivo ou se será necessário algum medicamento ou realização de alguma cirurgia para tratamento. Em seguida, o fonoaudiólogo será o profissional responsável por indicar o tipo de aparelho, além de adaptar e acompanhar o aparelho auditivo para o usuário

 

Tipos de aparelho e como funcionam

Existem diferentes tipos e modelos de aparelho auditivo, que devem ser orientados pelo médico e fonoaudiólogo. Os principais são:

  • Retroauricular, ou BTE: é o mais comum, usado encaixado na parte superior externa da orelha, e ligado ao ouvido por um fino tubo que conduz o som. Possui controles internos de programação, como regulação de volume, e compartimento de pilha;
  • Intracanal, ou ITE: é de uso interno, sendo fixado dentro do canal auditivo, fabricado especificamente para a pessoa que vai usar, após realização de um molde do ouvido. Pode ter controle interno ou externo com botão de volume e programação para controle da função, e compartimento de pilha;
  • Intracanal profundo, ou RITE: é o menor modelo, com tecnologia digital, de uso interno, pois se encaixa totalmente dentro do canal auditivo, sendo praticamente invisível quando colocado. Se adapta muito bem para pessoas com perda de audição leve a moderada.

 

 

Os aparelhos internos têm um custo mais elevado, entretanto, a escolha entre estes modelos é feita de acordo com as necessidades de cada pessoa. Para o seu uso, é indicado fazer um treinamento de reabilitação auditiva com o fonoaudiólogo, para permitir uma melhor adaptação e, além disso, o médico pode indicar um período de teste domiciliar para saber se há ou não adaptação.

 

 

Fonte : https://www.tuasaude.com/aparelho-auditivo/

 

A primeira coisa que é necessário tem em mente, quando se usa (ou se convive com quem usa) o implante coclear, é que implantados não são ouvintes. Não porque não seja possível ouvir e escutar muito bem com o IC, mas porque a surdez é e sempre será parte da nossa vida.

Mas, mais do que ouvir, quando se utiliza a audição, seja através de aparelhos auditivos ou implante coclear, é importante conseguir compreender, discriminar, escutar aquilo que se ouve. E, salvo casos em que a pessoa coloca o IC e já saiu ouvindo maravilhosamente (bem raro, mas acontece), para a maioria dos casos, em que o implante requer um período de adaptação, é preciso observar como nosso cérebro dá formas mentais àquilo que ouve. Ouvir o latido de cachorro e e processar mentalmente que aquele som está relacionado aquele determinado animal. Ouvir uma lata de refrigerante sendo aberta e pensar “oba, refri!”.

E, como não é exatamente um processo natural, pois é feito através de uma tecnologia que reproduz artificialmente um estímulo, é necessário a ajuda da fonoterapia para conseguir, com o implante, fazer o caminho natural do som, dentro da cabeça. E esse, é um processo que pode ser mais rápido para algumas pessoas e mais lento para outras, tudo depende da capacidade de cada pessoa se adaptar ao implante, formar um arquivo mental de memória auditiva, mas também de estar recebendo uma boa qualidade de sons através do implante coclear.

Contando um pouco da minha história, antes de operar do IC, nunca fui de levar a fonoterapia a sério. Até porque eu não utilizava aparelho auditivo e tudo era voltado para  voz e para a atenção à leitura labial.

Após a cirurgia, esse comportamento mudou. O IC parecia o estímulo que faltava para levar as sessões de fonoaudiologia a sério, dando lugar aos exercícios tão necessários a um deficiente auditivo que reaprende a ouvir.

Lembro de um exercício, logo que ativei o IC, em que a fonoaudióloga me mostrou 6 figuras e falava o nome de uma delas, sem que eu pudesse visualizar os lábios (ou seja, sem o apelo visual do qual dependi por mais de 20 anos). A princípio, o exercício era simples, porque bastava prestar atenção na extensão da palavra. Não há como confundir FLOR com TELEFONE, pelo tempo que a sonorização dura, pouco importando se compreendo ou não cada som por si.

Depois, foi a vez de escutar palavras com o mesmo tempo de som, todas dissílabas. Carro, casa, bola. Qualquer criança ouvinte consegue diferenciar essas palavras com facilidade, mas pra mim, ela soavam iguais, simplesmente porque a presença e ausência de som era similar. Tal como se o som se limitasse a preto e branco e eu só pudesse enxergar luz e sombra.

Mas, com o passar dos dias, os sons começavam a tomar forma. Não da primeira vez que eu ouvi, mas na terceira, quarta tentativa, a palavra BO-LA começava a ter um formato específico e  – ainda que com um demorado tempo de resposta –  a fazer meu cérebro perceber que trata-se de um objeto específico: a bola.

Não queria demonstrar emoção demais, porque não queria que a fono parasse a terapia para comemorar comigo, mas compreender (sem chutar) a palavra “bola”, fazer uma imagem mental dela conforme ouvia: bo-la (e não apenas tentar enxergar a palavra em si) representava um passo enorme nesse caminho. Era a primeira vez que o som da voz passava a ser significativo, passava a formar uma imagem mental espontâneamente no meu córtex cerebral.

E, junto com a bola, surgiu a esperança de poder compreender a voz, sem o auxílio da leitura labial, algum dia.

O tempo passou, os treinos simples foram dando lugar a outros exercícios mais elaborados. De palavras mudamos para sentenças, para conversas via telefone, para compreensão de outros idiomas.

Meu resultado, diferente de algumas pessoas que tem compreensão imediata, dependeu de diversos fatores. Mas entre os principais deles, acredito, foi um bom acompanhamento de fonoaudiologia. Não é a toa que eu bato tanto nessa tecla de que todo implantado deve ter em mente que fazer sessões de fonoaudiologia são fundamentais. Para alguém que hoje consegue atender o telefone, ouvir música, entender em outros idiomas, foi necessário criar a memória auditiva para cada um dos sons que compõem o processo de discriminação auditiva. E tudo isso só foi possível através de muito treino, muito empenho e muitas sessões de fonoterapia. Fonoaudiólogas são essenciais para o sucesso do implante coclear!

 

Fonte : https://desculpenaoouvi.com.br/reconstruindo-a-memoria-auditiva/