Ouvir bem é ginástica para o cérebro

Ouvir bem:  Mas não é só o corpo que precisa de atividades. De acordo com vários estudos, exercícios podem ajudar a melhorar ainda mais o desempenho cerebral, aumentando a atenção, a concentração e a memória. É justamente aí que ouvir bem pode fazer toda a diferença no desenvolvimento de novas conexões e no armazenamento de informações, servindo como uma ótima ginástica cerebral.

“Todos os estímulos que recebemos via cinco sentidos (tato, olfato, paladar, visão e audição) permitem ao cérebro reconhecer o ambiente e fazê-lo se relacionar com o mundo, ouvir bem. Quando escutamos, várias áreas cerebrais são estimuladas, entre elas a visão, a memória e a atenção. Quanto mais se ouve, mais o cérebro é estimulado a fazer novas conexões. Não ouvir é perder muito além da capacidade de entender o mundo”, explica a fonoaudióloga, mestre em neurociências aplicadas ao consumo e especialista em audiologiaEliana Leite Coutinho.

De acordo com a especialista, mesmo a menor perda auditiva pode comprometer, e muito, a capacidade do cérebro em desenvolver novas funções. “Sem entender o que uma pessoa falou, mesmo coisas simples como três ou seis, terça ou sexta, não é possível armazenar a informação. Além disso, a pessoa que não escuta direito fica menos atenta, o que pode comprometer a capacidade de leitura e de aprendizado de um novo idioma, por exemplo. Sem contar todo oesforço auditivo que é feito para conseguir entender uma fala. No final do dia, a pessoa está muito mais cansada e irritada do que estaria normalmente”, informa.

Por isso que a fonoaudióloga é uma entusiasta da utilização de aparelhos auditivos também para indivíduos comperdas auditivas leves. “É muito comum as pessoas acharem que não precisam da prótese auditiva, seja lá qual for o grau da sua perda auditiva. Quem tem perda de audição, em geral,  desenvolve estratégias para conseguir se comunicar, mas isto exige grande esforço e desgaste mental. Ao usar um aparelho auditivo, o cérebro passa a recrutar novos neurônios para exercer atividades que eram acumuladas em outras áreas. Com isso, o paciente melhora, entre outras coisas, a memória e a atenção. Além disso, ao passar a gastar menos energia com processos automáticos, como ouvir, o cérebro consegue se dedicar a novas funções, como aprender um idioma ou tocar um instrumento. Quanto mais cedo acontecer a utilização do aparelho, maiores são os ganhos para o paciente”, garante.

Com ou sem perda auditiva, qualquer pessoa pode realizar um programa estruturado de exercícios para treinar o cérebro e melhorar o seu desempenho, seja no trabalho, no estudo ou em atividades rotineiras, como dirigir carros com maior segurança. A partir de softwares muito sofisticados, boa parte deles oferecidos em plataformas online que rodam bem em computadores de mesa e em smartphones, é possível realizar treinamentos cerebrais (brain fitness) em praticamente qualquer lugar, a qualquer hora. “Para pessoas com perda auditiva, o ganho do brain fitness é ainda maior com treinamentos feitos sob medida e acompanhamento individual, que poderão dar um feedback direto sobre o seu desenvolvimento”, afirma. “O importante é estimular a sua audição o tempo todo! O cérebro agradece!”

 

 

 

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/ouvir-bem-%C3%A9-gin%C3%A1stica-para-o-c%C3%A9rebro-juliana-tavares